É muito comum que, em tempos de grandes mudanças na forma de consumo das pessoas, os mercados de trabalho se atualizem e sofram grandes mudanças com mais frequência do que antigamente.

No entanto, poucos mercados de trabalho sofrem tantas mudanças quanto o do Direito. Ainda que sua essência – ou seja, a Lei – nem sempre sofra alterações significativas (com exceção de reformas, PECs ou novas jurisprudências), a dinâmica do mercado de trabalho no âmbito jurídico costuma vivenciar mudanças de tempos em tempos.

E, como acontece na maior parte dos casos, também vê despertar e surgir novas tendências para o futuro. Assim, fizemos um levantamento com as principais tendências do Direito para 2019 e as transformamos neste artigo, que tem como objetivo lhe ajudar a se preparar para portas que possivelmente se abrirão no futuro e para mudanças que a profissão provavelmente exigirá já nos próximos anos. Confira!

As 4 principais tendências do Direito para 2019

1. Mercado de compliance deve continuar em alta

Em uma grande empresa, o compliance é uma das áreas mais importantes para garantir que o funcionamento da instituição esteja de acordo com as normas legais e regulamentares. Assim, o profissional de Direito acaba ficando encarregado da parte legal da coisa, que demanda um extenso conhecimento jurídico e da área relacionada à empresa em questão.

Mesmo sendo uma área importante já há bastante tempo, digamos que o compliance tem se tornado ainda mais relevante nos últimos tempos, principalmente em razão da situação institucional vivida no país. Com diversas empresas sendo denunciadas por casos de corrupção, as instituições têm se preocupado ainda mais em estar com as contas e os documentos em dia, sem nenhuma ilegalidade.

Além disso, a evolução dos recursos digitais permite ao profissional auditar as informações referentes às questões legais de forma bem mais eficiente — o que deve se intensificar ainda mais nos próximos anos, com a inclusão digital mais e mais presente no dia a dia das empresas.

A expectativa, portanto, é de que profissionais do Direito com experiência ou disposição para atuar no ramo de compliance sejam ainda mais requisitados num futuro bem próximo.

2. Lei de proteção de dados na Internet é um tema importante a ser estudado

Em meados de agosto deste ano, foi sancionada a lei de proteção de dados dos brasileiros na internet. Essa norma deu aos cidadãos maior poder para lidar com as suas informações pessoais presentes na rede, garantindo um controle maior de sua privacidade na web, bem como no que diz respeito à transferência e/ou recuperação de conteúdos pessoais dentro do ambiente digital.

Isso, porém, ainda é uma grande novidade para a maioria das pessoas — inclusive para as empresas. De acordo com a lei, a multa para as organizações que infringirem os limites de privacidade impostos pela nova legislação pode chegar a até 2% de seu lucro anual. Dependendo do tamanho da empresa à qual estamos nos referindo, pode-se imaginar o tamanho da multa.

Assim, é natural que haja preocupação crescente entre as instituições que trabalham com a aquisição de dados online para que sua operação esteja de acordo com os termos legais. A previsão é de que a nova lei entre em vigor em 18 meses a partir de sua sanção – ou seja, em 2020.

No entanto, 2019 deverá ser o ano em que as empresas já começarão a se preparar. E como se trata de um processo contínuo, é de se esperar que este movimento não cesse tão cedo.

Leia mais: Qual a diferença entre as carreiras pública e privada no Direito?

3. Presença cada vez maior da tecnologia no âmbito jurídico

Com a participação cada vez mais frequente da tecnologia em nosso dia a dia, não é de se espantar que ela também está marcando cada vez mais presença nas atividades do âmbito jurídico. Um dos benefícios deste movimento, por exemplo, está na economia de tempo: os recursos digitais ajudam a organizar a papelada e, consequentemente, evitam extravios, demora desnecessária para encontrar um documento específico etc.

No entanto, para 2019, estão previstas algumas mudanças ainda mais significativas para o mercado do Direito, de modo geral.

O Watson, por exemplo, que é o sistema de Inteligência Artificial (IA) lançado pela IBM em 2010, é capaz de analisar mais de um bilhão de documentos em menos de um segundo. Portanto, imagine as vantagens de adotá-lo num escritório de advocacia ou até mesmo nos tribunais e fóruns de todo o país.

Além disso, a automação do departamento jurídico permite que se otimize tarefas que fazem parte do cotidiano de um advogado. Como dito anteriormente, economiza-se tempo em atividades específicas, possibilitando que se dê conta de outras tarefas durante o expediente.

Assim, familiarizar-se desde já com esses e novos recursos digitais que estão surgindo é uma boa ideia para acompanhar as tendências do Direito e do mercado para tomar a dianteira perante a concorrência e colegas de profissão.

4. O perfil empreendedor combina com o advogado do futuro

O comportamento do profissional é um fator de muita importância para a sua contratação e, futuramente, para uma promoção ou renovação de contrato. Neste sentido, uma tendência válida não só para o âmbito jurídico, mas para o mercado num geral, é a procura por profissionais que tenham perfil e espírito empreendedor.

Esses indivíduos são aqueles que “vestem a camisa da empresa”, agem como se fossem donos do negócio e pensam sempre fora da caixa, buscando a inovação e melhores práticas de gerenciamento do tempo e das próprias tarefas.

Juntamente com essas características, a tendência é de que ocorram mudanças na forma como os serviços jurídicos são prestados — e que combinam muito com um estilo mais colaborativo de se trabalhar.